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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Pessoas com diabetes (mesmo adultos e idosos) devem ser vacinadas contra gripe, pneumonia e hepatite B!




Como muitos já perceberam, o tratamento do diabetes é muito mais do que controlar as glicemias.

Pessoas com diabetes de todas as idades (especialmente os extremos de idade) têm maior risco de adquirir gripes e pneumonia. O que a maioria não sabe é gripes são porta de entrada para pneumonias e as pneumonias podem ser mortais para as pessoas com diabetes..

Infelizmente muitos serviços de saúde e mesmo endocrinologistas desconhecem ou esquecem de informar seus pacientes da importância da vacinação.

Todos com diabetes devem ter o seu cartão vacinal em dia e eles podem e devem receber todas as vacinas habituais que todos devemos receber, independente do diabetes (por exemplo: tétano, febre amarela, etc).

A Associação Americana de Diabetes recomenda: 


  • Vacina anti-gripe: que deve ser aplicada anualmente no outono; não deve ser indicada para menores de 6 meses de idade e é fornecida pelo SUS para todas as pessoas com diabetes;
  • Vacina anti-pneumonia: a vacina fornecida pelo SUS (Pneumo 23) deve ser reaplicada a cada 5 anos. Caso o paciente tenha condições financeiras, ele pode adquirir a vacina anti-pneumocócica 13 valente que requer apenas uma injeção na maioria dos casos. A vacina Pneumo-23 não deve ser aplicada em menores de 2 anos de idade.
  • Hepatite B: todos devem receber 3 doses da vacina. 
Com o pedido de vacinação do médico em mãos, a rede pública de saúde é responsável por esta vacinação. Em clínicas de vacinação privadas também é possível fazer a imunização.

As vacinas são intra-musculares e praticamente indolores (acreditem!).

segunda-feira, 7 de março de 2016

Por que uma pessoa desenvolve o diabetes tipo 1? Uma resposta ainda longe de ser conhecida!



Esta pergunta é feita a mim diariamente no consultório e por isso resolvi trazê-la para esta discussão.

Como todas as doenças, no início o portador tende a negá-la. A pessoa simplesmente acha que não possui a doença e passa a desprezá-la. Com o passar do tempo, percebe-se que é real a presença de uma determinada doença e então vem a fase de "raiva", a fase em que perguntamos "por que eu?",  "Há tantas pessoas ruins no mundo porque logo eu fui escolhido para ter esta doença?".

Vale ressaltar que sempre achamos que a pior doença do mundo é aquela que nós temos. Para cada um de nós, a doença do vizinho é sempre mais branda que a nossa.

Passadas estas fases, o jeito mesmo é encarar de frente e tratar a doença e viver a vida da melhor forma possível. A instrução sobre a doença e seu reconhecimento faz com que tenhamos menos medo do futuro. Quanto mais informações nós temos, com mais força encaramos nossas doenças.

Com relação ao diabetes tipo 1, todos sabemos que se trata de uma doença autoimune, ou seja, as células do sistema imunológico do indivíduo destroem (de maneira equivocada) as células beta produtoras de insulina localizadas no pâncreas (leia mais sobre a autoimunidade clicando aqui).
Vale lembrar que normalmente o sistema imunológico tem o papel de nos defender contra agentes maléficos como por exemplo vírus, bactérias, fungos, etc.

Mas por que isto acontece? 

Existem várias hipóteses para que o sistema imunológico comece a destruir nosso próprio organismo: uma delas se refere ao fato de termos tido uma infecção no passado e que o micróbio em questão é parecido com alguma molécula da células beta. Isto faz com que nosso sistema imunológico  "se engane" e destrua as células beta erradamente.

O contato com o leite de vaca desde a infância  também é tido como uma causa em potencial do diabetes tipo 1, entretanto, estudos clássicos foram feitos avaliando crianças que ingeriram leite de vaca e também crianças que nunca ingeriram este produto e viram que a incidência de diabetes tipo 1 é igual em ambos os grupos.

Outro fator amplamente discutido é a genética. Entretanto, sabemos que os fatores genéticos têm pouca ligação com o diabetes tipo 1, fato este comprovado pelo fato de não ser tão comum a existência de muitos membros da mesma família com diabetes tipo 1.

Atualmente uma das teorias mais aceitas é a Teoria da Higiene: com o passar dos anos, temos tido mais cuidados sanitários, menos contato com bactérias e até mesmo com a sujeira. Com isto, nosso sistema imunológico, na ausência de ter alguém para "brigar" , começa a destruir células do próprio organismo como as células beta.

Vale à pena destacar que fatores emocionais e estressantes como desastres, separações, falecimentos, etc não têm ligação com a causa do diabetes tipo 1.

Em suma, até o momento, em pleno século XXI ainda não temos idéia do que desencadeia o diabetes tipo 1. Acho que não é uma tarefa fácil mas diversos pesquisadores no mundo todo estão se empenhando em descobrir.

Somente descobrindo a causa do problema poderemos criar ferramentas e estratégias realmente eficazes na prevenção desta doença.

Vamos em frente!!!!



Acesse também outras matérias

Quais os critérios para participar das pesquisas com células-tronco para diabetes tipo 1?
http://carloseduardocouri.blogspot.com.br/2013/03/por-que-o-transplante-de-celulas-tornco.html


Programa "Como Será"da Sandra Annenberg fala sobre transplante de células-tronco para diabetes.
http://carloseduardocouri.blogspot.com.br/2015/05/programa-como-sera-de-sandra-annenberg.html

Jornal do SBT fala dos 10 anos da hitória do transplante de células-tronco para diabetes, desenvolvido pioneiramente no Brasil.
https://www.youtube.com/watch?v=0d4n2roF5sA&feature=youtu.be




domingo, 6 de março de 2016

Quais são os critérios iniciais para participar das pesquisas com células-tronco para diabetes tipo 1 da USP - Ribeirão Preto?


É com muita satisfação que o Brasil é pioneiro mundial no uso de células-tronco para diabetes tipo 1. Nossas pesquisas se inciaram em 2003 e seguem até hoje. Infelizmente não promovemos cura mas sim tentamos uma maneira inovadora e singular na sua abordagem.
Como mostramos bem, tratam-se apenas de pesquisas e muito teremos que estudar para chegar em qualquer conclusão.
Vale destacar que nossa equipe da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto - USP é enorme e montada pelo Prof Júlio Voltarelli. Temos na equipe enfermeiros, auxiliares de enfermagem, terapeutas ocupacionais, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, médicos de outras especialidades, ou seja, somos um grande time.
Atualmente o grupo geral está sob coordenação da Dra Belinda Simões, juntamente com a Dra Maria Carolina Oliveira. Nossos estudos foram aprovados pelo FDA e disseminados  e replicados na Europa e Ásia. 

Para ser voluntários são necessários preencher inúmeros critérios de inclusão sendo que os iniciais são:
Idade entre 18 e 35 anos;
Diabetes tipo 1 há menos de 6 semanas.

Por que o transplante de células-tronco não é cura para o diabetes tipo 1 ?

Desde as primeiras notícias na mídia leiga sobre os estudos de nosso grupo da USP-Ribeirão Preto, muitas pessoas fazem um link entre transplante de células-tronco e cura do diabetes tipo 1. É óbvio que a cura é o principal objetivo de qualquer médico ou pesquisador.

Devemos nos lembrar porém que o diabetes tipo 1 é uma alteração crônica da glicemia e da secreção de insulina e seu tratamento baseia-se em alguns pilares que são:
1- Compreensão  e aceitação da doença;
2- Alimentação saudável;
3- Exercícios físicos regulares;
4- Insulinoterapia;
5- Monitorização de glicose

Como se pode ver, o que conseguimos no transplante até hoje é suspender o uso de insulina em vários pacientes ao longo do tempo. Porém, em nossas pesquisas, recomendamos veementemente que nossos pacientes mantenham a atividade física regular, alimentação saudável e medição regular das glicemias capilares.

Temos pacientes que ficaram livres de insulina por longo período e retomaram o uso de insulina novamente. Certamente, em muitos casos, se o paciente tivesse seguido as recomendações adequadamente ele conseguiria ficar ainda mais tempo sem usar insulina.

Com muita frequencia recebo no consultório pacientes diabéticos ou seus familiares dizendo que procuram o transplante de células-tronco porque não aceitam o diabetes e querem viver sem ele. Nestes casos, faltam-lhes o alicerce básico para o correto tratamento do diabetes e sem isto não podemos fazer nada.

O transplante de células-tronco não é uma fuga, mas sim uma pesquisa muito séria que avalia uma das principais promessas da humanidade no tratamento de uma doença comum que é o diabetes tipo 1.

Quem nos procura tentando viver a vida chamada "normal" geralmente comete um grande engano. Estas pessoas muitas vezes acham normal comer doce e açúcar diariamente; acham normal comer aqueles biscoitinhos condimentados repletos de gordura e sal; acham normal comer fast-food com frequencia; acham normal ser sedentários e comer coxinha e esfiha no recreio da escola; acham normal almoçar e repetir o prato 2 ou 3 vezes e nem sequer comer uma verdura ou um legume.

O que nós queremos é que nossos pacientes tenham uma vida saudável e com qualidade de vida, níveis de glicemia adequados e muita disposição para viver aceitando o diabetes e não vendo-o como um inimigo, mas sim como um aliado. Tenho muitos pacientes que melhoraram muito de vida após o diabetes. Graças ao diabetes que eles hoje se preocupam mais com uma vida saudável. 

Vamos refletir...


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Pesquisa pioneira mundialmente realizada pela USP - Ribeirão Preto é destaque no Jornal Nacional





segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Aprovada a insulina Biossimilar de Lantus nos Estados Unidos

Há mais de 15 anos o tratamento do diabetes com insulinas sofreu um grande avanço. Trata-se da insulina Glargina (conhecida como nome comercial de Lantus do laboratório Sanofi-Aventis). 
Esta é uma insulina sintética, ao contrário das insulinas que a antecederam que eram de origem humana ou até mesmo animal) que dura até cerca de 24h e portanto, na maioria dos pacientes, é necessário 1 única aplicação diária. 
Usualmente ela é usada juntamente com outras aplicações de insulina rápida. 
A insulina Glargina foi um enorme avanço em relação à sua antecessora, a velha insulina NPH. 
A Glargina é considerada um avanço em relação à insulina NPH devido ao fato de induzir menor ganho de peso, menor variação nas glicemias e também menor risco de hipoglicemias. O fato de ser uma injeção diária também tornou-se um forte atrativo em favor da Glargina. Tudo isto faz com que a insulina Glargina promova melhor qualidade de vida.
Por tudo isso, ao longo dos anos vários pacientes e médicos optaram por fazer a troca da NPH pela Glargina.
O grande problema da insulina Glargina porém foi o preço
No início somente os pacientes com maior poder aquisitivo tinham consições financeiras para adquirir esta insulina. Posteriormente vários pacientes entraram com ações judiciais para receber esta insulina do Poder Público. 

O lançamento do biossimilar da insulina Glargina é um fato sem precedentes nos Estados Unidos e relativamente novo em todo o mundo. A insulina Glargina possui uma técnica diferenciada de produção e o rígido FDA nunca antes havia liberado um medicamento biossimilar no mercado americado. 
Por isso, há alguns anos o renomado laboratório Eli Lilly desenvolveu a técnica necessária e todos os critérios e rigores para a manufatura desta insulina (leia o parecer do FDA na íntegra aqui ).
Mas qual a vantagem de ter a insulina Glargina biossimilar? 
A vantagem é principalmente financeira! Tanto a insulina Lantus quanto a biossimilar (que vai se chamar Basaglar) possuem a mesma eficácia e o mesmo perfil de efeitos colaterais. 
O governo porém poderá promover uma livre concorrência de preços e o laboratório que fizer o menor preço vence a briga para fornecimento para o Estado brasileiro. 
Para o consumidor que compra diretamente da farmácia, poderá escolher aquela que tiver o menor preço. 
Vale resaltar que a insulina Basaglar já foi lançada na Europa há 1 ano, acaba de ser aprovada nos Estados Unidos e esperamos em breve este benefício aqui no Brasil.

Vamos aguardar!!! 

domingo, 15 de novembro de 2015

MGTV - Triângulo Mineiro aborda o Dia Mundial do Diabetes e aborda nossa pesquisa com transplante de células-tronco paa diabetes tipo 1

Como sabemos, o mês de novembro é o mês oficial do Diabetes.

Em 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes o jornal do MGTV  (Rede Globo - MG) discutiu sobre o tema e mostrou o caso de Lucas, um dos pacientes submetidos ao transplante de células-tronco da Equipe de Transplante de Células-tronco da USP - Ribeirão Preto. 

Achei a metéria muito séria e teve uma abordagem muito prática e esclarecedora.

Vale destacar que os critérios iniciais para participar de nossos estudos são:

- Idade entre 18-35 anos de idade;
- Diabetes tipo 1 há menos de 6 semanas;


video






sábado, 14 de novembro de 2015

Parabéns aos Vencedores

Neste Dia 14 de Novembro, dou meus parabéns aos pacientes diabéticos e aos seus familiares. Parabéns aos Vencedores!
São todos vencedores por passar em cima dos mitos e da falta de apoio governamental à altura; por passar por cima das eternas filas e da desinformação. Quem dera se a luta fosse apenas contra as "picadinhas" de insulina ou as "furadinhas" de dedo para medir a glicose.
Como filho, irmão, neto, sobrinho de vários pacientes diabéticos dou meus Parabéns aos Vencedores!
Cada um de nós, dentro do seu alcance, devemos colaborar. Não temos estatísticas atuais, mas estimativas apontam para uma prevalência de cerca de 10% de diabetes no Brasil.
Cada um deve cobrar dos governantes (muitos deles diabéticos) que NÓS elegemos.
A doença é silenciosa, mas nossos gritos devem ser ensurdecedores.

Parabéns aos Vencedores!

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Você sabe o que é o BioHub? Uma nova linha de pesquisa em humanos se iniciou em agosto de 2015!

O transplante de ilhotas é uma técnica bem conhecida que vem sendo amplamente estudada especialmente nos últimos 30 anos.

O implante normalmente é feito com ilhotas pancreáticas de doadores cadáveres e quando implantadas no paciente produzem insulina e outros hormônios pancreáticos que podem tornar os pacientes livres da injeções diárias de insulina.

Classicamente estes implantes de ilhotas são feitos no fígado e os pacientes devem receber medicamentos contra rejeição.

Apesar de animadores, resultados recentes mostram que este tipo de procedimento não consegue manter o paciente livre de insulina por  muito tempo.

Com base neste cenário que em Agosto de 2015 o importante Instituto de Pesquisa em Diabetes (DRI) da Universidade de Miami iniciou um projeto ambicioso do BioHub.

O BioHub é uma trama ou malha contruída por meio de bioengenharia em que são adicionadas ilhotas de cadáveres que são envoltas pelo sangue do próprio paciente e implantadas na membrana que reveste internamente o abdome (chamado de omento). O implante é feito por uma pequena cirurgia abdominal.

O primeiro paciente com diabetes tipo 1 recebeu a BioHub em 28 de agosto e ainda não temos resultados. Mas sabemos que neste primeiro passo os pacientes terão de receber baixas doses de medicamentos imunossupressores (contra rejeição) e nos próximos testes o BioHub terá uma espécie de membrana protetora contra o ataque autoimune presente no diabetes tipo 1.

Este trabalho é feito por uma vasta equipe de profissionais renomados como Dr Camilo Ricordi, Jay Skyler e Dr Rodolfo Alejandro.

No Congresso Brasileiro de Diabetes de 2013 em Florianópolis a comissão organizadora teve a felicidade de fazer um simpósio sobre este tema com o Dr Alejandro. Eu presidi esta interessantíssima mesa e também pude dividir dados do transplante de células-tronco que fazemos pioneiramente no Brasil há mais de 10 anos.

Acesse no link abaixo da imagem e assiste ao  vídeo explicando detalhes do imlpante da BioHub.

https://www.youtube.com/watch?t=195&v=6YNRcDGf57o


Leia também:

Pâncreas artificial desenvolvido a partir de células-tronco: http://carloseduardocouri.blogspot.com.br/2015/06/pancreas-artificial-feito-com-celulas.html

Programa "Como Será?" de Sandrs Annenberg fala sobre o transplante de células-tronco desenvolvido pela USp- Ribeirão Preto
http://carloseduardocouri.blogspot.com.br/2015/05/programa-como-sera-de-sandra-annenberg.html




sábado, 20 de junho de 2015

Pâncreas artificial feito com células-tronco: pesquisas robustas estão em franco desenvolvimento!

Neste fim de semana fui convidado para um Simpósio Internacional sobre pesquisas com células-tronco na cidade de Sioux Falls - Dakota do Sul - Estados Unidos. Este simpósio foi promovido pelo Centro de Pesquisas de Sanford.
Neste evento estavam presentes pesquisadores de Boston, San Diego, Gainesville, etc e o tema principal era mostrar o que cada grupo vinha desenvolvendo de pesquisas e o que devemos esperar para o futuro das pessoas com diabetes.

Pesquisadores no Sanford Research Institute 
Além de mostrarmos nossas pesquisas com células-tronco realizadas no Brasil, um ponto que me chamou muito a atenção foi um projeto em andamento nos Estados Unidos promovido pela empresa ViaCyte. Trata-se do implante de células-tronco pancreáticas encapsuladas. Este produto é patenteado e é chamado de VC-01 no momento.

Como todos sabemos, o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, o próprio sistema imunológico do paciente ataca as células produtoras de insulina (células beta) localizadas nas ilhotas do pâncreas. Estas células param então de produzir a insulina e os níveis de glicose no sangue se elevam.

Como se deve imaginar, não basta infundirmos várias células beta no pâncreas dos pacientes com diabetes tipo 1. O próprio sistema imunológico dele irá destuir estas células.

O que o VC-01 representa é uma maneira de produzir ilhotas pancreáticas a partir de células-tronco pancreáticas. Estas células-tronco pancreáticas formarão células células beta, células alfa, etc.  As células-tronco são envoltas em uma membrana que impede que o sistema imunlógico do paciente reconheça-as como intrusas. Esta membrana é chamda Encaptra.

Isto pode ser chamado de pâncreas artificial biológico. Ela é implantado no tecido subcutâneo (abaixo da pele) nas costas e na parte lateral da barriga.

Os estudos em animais mostraram segurança e eficácia no controle do diabetes tipo 1, sem necessidade de aplicações de insulina.

Os estudos em humanos começam este ano e foram aprovados pela agência regulatória americana  (FDA) e em breve teremos resultados.

Veja abaixo algumas imagens do VC-01. Para mais informações acesse http://viacyte.com.

Esquema da membrana envolvendo células-tronco pancreáticas que formarão ilhotas quando implantadas no tecido subcutâneo dos pacientes. Esta membrana permite a irrigação sanguínea do VC-01 e também a secreção de insulina, mas previne o ataque autoimune. 


O tamanho é um pouco maior do que uma moeda americana.

Imagem real do VC-01. Tamalho um pouco maior do que uma moeda. O espessura é de 0,5cm. 

Confesso que fiquei muito feliz com esta nova pesquisa, que tem como objetivo ser usada primeiramente em pacientes com diabetes tipo 1 estável, inclusive de longa duração.

Caso este estudo dê certo, ele funcionará como um pâncreas artificial, produzindo insulina, glucagon e controlando a glicose como nosso pâncreas naturalmente faz. Isto evitaria as picadas de insulina e o "sobe e desce" das glicemias.

Vamos ficar atentos e vamos em frente!





domingo, 10 de maio de 2015

Programa "Como Será?" de Sandra Annenberg fala sobre o transplante de células-tronco para diabetes.

Neste sábado dia 09 de maio de 2015 o progama " Como Será? " de Sandra Annenberg abordou o tema DIABETES.

Como é um programa que tenta mostrar novas tendências e novos caminhos para nossa sociedade em diversos aspectos, eles vieram a Ribeirão Preto conhecer o Hospital das Clínicas da USP e mais de nossas pesquisas com células-tronco para diabetes.

Vale destacar que as pesquisas com células-tronco para diabetes desenvolvidas pela Equipe de Transplante de Células-tronco do HC de Ribeirão Preto são pioneiras mundialmente e são realizadas desde 2003.

Ainda estamos recrutando pacientes, sendo que os critérios iniciais para ser voluntário são:
- Idade entre 18 e 35 anos
- Diabetes tipo 1 há menos de 6 semanas

Para assistir à excelente matéria feita pela jornalista Mariane Lalerno, clique no link abaixo:

http://redeglobo.globo.com/como-sera/noticia/2015/05/pesquisadores-da-usp-testam-novo-tratamento-para-cura-da-diabetes.html




domingo, 12 de abril de 2015

10 anos de transplante de Células-tronco para diabetes tipo 1 - Jornal do SBT

No sábado dia 11 de abril de 2015 o Jornal do SBT fez uma excelente reportagem mostrando o trabalho feito por nossa equipe de transplante de células-tronco do Hospital das Clínicas da USP - Ribeirão Preto.
Nesta matéria é mostrado como é feito o transplante, os riscos e os benefícios.
Três de nossos pacientes transplantados foram entrevistados e mostraram como é o dia-a-dia deles.
Apesar dos resultados ultra-animadores, vale ressaltar que trata-se de uma  pesquisa e os resultados a longo prazo são incertos.

Nesta pesquisa temos inúmeros critérios para aceitar novos voluntários, sendo que os iniciais são:
- idade entre 18 e 35 anos
- diabetes tipo 1 há menos de 6 semanas


Assista ao vídeo abaixo:

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Suco de noni, chá de pata de vaca, água de quiabo, etc ... Enfim, podemos curar o diabetes com terapia baseada em alimentos?

A cada semana no consultório respondo perguntas de meus pacientes sobre diferentes formas de "curar" ou tratar o diabetes. São várias as histórias:

  • Suco de noni
  • Água de quiabo
  • Chá de pata de vaca
  • Chá de insulina
  • etc


A natureza nos dá a grande maioria das substâncias que são usadas pela indústria farmacêutica. Um belo  exemplo disso é da planta chamada dedaleira. Esta planta contém uma substância que ajuda o coração a bater mais forte. Esta substância chamada Digitálico foi purificada, concentrada e colocada em cápsulas. A diferença das cápsulas e a planta é que na planta a substância está presente apenas em quantidades muito reduzidas. Daí a necessidade de concentrar esta quantidade pura em cápsulas. Caso contrário teríamos de ingerir mais de 30 litors de chá de dedaleira todos os dias para ter efeito parecido.  

No Brasil, por motivos diversos, muitas pessoas não têm acesso regular à saúde de qualidade. Daí acabam recorrendo a medidas alternativas de saúde. Os chás e as garrafadas são um bom exemplo disso. 

Eu até acredito que muitas destas terapias ditas "alternativas" ajudam a tratar o diabetes e outras doenças. Ainda mais porque quando fazemos qualquer tratamento intuitivamente tendemos a colaborar mais com alimentação saudável e exercícios regulares.

Para se lançar um medicamento para tratamento do diabetes estima-se ser necessário o investimento de cerca de 1 bilhão de dólares. Este gasto é para testar o seu efeito em milhares de voluntários  e por longo tempo - antes mesmo de ser lançado no mercado. Vale destacar que apesar do alto investimento a grande maioria dos medicamentos estudados são rejeitados.

Por isso que nosso grupo de pesquisa da USP-Ribeirão Preto estuda células-tronco em humanos há mais de 10 anos e ainda não temos certeza se é seguro e totalmente eficaz para todas as pessoas com diabetes.

Infelizmente tenho tido notícias de inúmeras pessoas que param seu tratamento de diabetes com comprimidos ou com insulina e passam a usar chás e ervas. Não raramente estas pessoas passam mal e acabam tendo de retomar o tratamento convencional. Já vi casos até de óbito...

Não sou pessimista nem cético, mas apenas penso que para se provar que uma dada planta ou substância (ou mesmo remédio) seja útil para o tratamento de qualquer doença é necessário ser testada em milhares de pessoas por muito tempo... Só a palavra do seu vizinho ou parente não é suficiente, por mais que seja bem intencionado!!

Por isso, evite usar qualquer tipo de substância e nunca suspenda um tratamento proposto sem antes discutir com seu médico. 

Vamos em frente!!!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Aprovado mais um medicamento injetável, semanal, para diabetes tipo 2 nos Estados Unidos: o DULAGLUTIDE.

Acaba de ser aprovado pelo americano FDA o mais novo medicamento que pode ser utilizado no tratamento do diabetes tipo 2: o dulaglutide (nome comercial TRULICITY)

O TRULICITY é considerado "primo"  VICTOZA e do remédio há mais tempo no mercado chamado BYETTA. A substância contida nele é o Dulaglutide. Dulaglutide  é uma substância semelhante àquela liberada pelo nosso intestino quando ingerimos o alimento. Esta substância é chamada GLP-1.

Esta classe de remédios que têm ação semelhante ao GLP-1 humano promove redução da glicemia pelo fato de esta substância estimular a secreção de insulina pelo pâncreas e redução do hormônio glucagon (também produzido pelo pâncreas). Para quem não sabe o glucagon eleva a glicose no sangue, ou seja, e é contrário à ação da insulina.

Além disso, o GLP-1 atua no centro da fome localizado no cérebro induzindo a uma redução da fome. O GLP-1 também atua no estômago fazendo com ele fique mais lento para se esvaziar quando nos alimentamos. Com isso, o paciente refere que quando come pequenas quantidade de alimentos já sente o estômago mais cheio, não tolerando portanto ingerir grandes quantidades de comida. 

Por isso, esta classe tem como um dos efeitos paralelos atraentes promover redução de peso. Mas é bom deixar claro: NÃO SÃO REMÉDIOS PARA EMAGRECER, E SIM PARA TRATAR DIABETES TIPO 2. ELES SÓ SÃO  INDICADOS PARA PACIENTES COM DIABETES TIPO 2 E NÃO SE RECOMENDA O SEU USO PARA OBESOS NÃO-DIABÉTICOS. 

É bom deixar claro que apesar de ser injetável por via subcutânea, NÃO É INSULINA. Sua aplicçãõ deverá ser semanal

É possível que tenhamos mais esta opção disponível no mercado brasileiro em alguns meses. Porém, para isto, deveremos aguardar aprovação de nosso departamento regulamentador, a ANVISA. 

Como se trata de um novo medicamento devemos ficar atentos para efeitos adversos inadvertidos e seu uso deve sempre ser após indicação médica. 





Leia mais sobre VICTOZA em:

Leia mais sobre o diabetes tipo 2 em:


sábado, 13 de setembro de 2014

É POSSÍVEL PRODUZIR UM PÂNCREAS INTEIRO A PARTIR DE UMA CÉLULA-TRONCO?

        Estamos vivendo e sendo testemunhas da era da terapia celular. Em paralelo com toda a seriedade  e metodologia científica, todos estamos com muita fé nos resultados.

            As células-tronco possuem 2 características básicas que a definem:
·             Auto-renovação;
·             Capacidade de “transformar” células mais maduras e especializadas do que a célula de origem.

            Historicamente, quando se fala de células-tronco a maioria do público leigo se lembra das células-tronco embrionárias. Estas células são encontradas no embrião e são capazes de se “transformar” em praticamente qualquer tipo de célula adulta de nosso corpo e por isso são chamadas de pluripotentes.

            Par que isto aconteça em laboratório, basta utilizarmos substâncias certas no momento certo que elas se “transformam” nas outras células de interesse.

       Para usarmos terapeuticamente as células-tronco embrionárias é necessário que elas sejam primeiramente transformadas nas células que queremos, já “transformadas”.

    Um dos grandes desafios é que quando utilizamos células-tronco embrionárias elas necessariamente vêm de outro ser vivo e por isso possuem outro DNA.  Isto provocaria o que chamamos de rejeição.

            Uma enorme evolução ocorreu nos últimos anos e foi motivo de Prêmio Nobel de Medicina. Pesquisadores conseguiram desenvolver as “células iPS” , ou seja, células pluripotentes induzidas a partir de células adultas.

Mas como esta “iPS” é produzida? A partir de uma célula adulta , por meio de técnicas complexas, cientistas conseguem fazê-la se transformar numa célula-tronco embrionária. Isto mesmo! É como se a célula entrasse numa máquina do tempo e voltasse ao estado embrionário. Desta forma, com esta nova célula-tronco embrionária induzida a partir de uma célula adulta podemos gerar teoricamente todos os tipos de células que quisermos. 

A vantagem desta técnica é que poderíamos ter outra fonte alternativa de células-tronco embrionárias sem a necessidade de usarmos somente embriões das clínicas de fertilização. Outra vantagem é que se poderia utilizar uma célula da própria pessoa a ser tratada, evitando a rejeição que seria provocada se a célula-tronco tivesse outro DNA.


Pesquisas mais recentes do final de 2013 mostram que um aspecto teórico vem se tornando realidade: pesquisadores japoneses conseguiram desenvolver um fragmento de tecido de fígado exclusivamente com o uso das células “iPS”.




Portanto, em tese é possível se desenvolver um pâncreas a partir de uma célula adulta do próprio paciente. Sinceramente acredito que isto acontecerá em breve.

Em 12 de setembro de 2014 foi realizado o primeiro tratamento em humanos. Foi para o tratamento de degeneração macular de retina. Resultados clínicos ainda não foram divulgados. 


           Ponto-chave no caso de pacientes com diabetes tipo 1 é a autoimunidade. Todos sabemos que o pâncreas do paciente com diabetes tipo 1  é destruído pelo seu próprio sistema imunológico. Por isso, não adianta transplantarmos um novo pâncreas, mesmo que seja com o DNA dele mesmo,  se não manipularmos o sistema imunológico de maneira correta.

            O mesmo se aplica ao diabetes tipo 2. O pâncreas diminui a secreção de insulina muitas vezes como consequência da obesidade abdominal. Por isso, não adianta transplantarmos um pâncreas novo se o paciente permanece obeso e com péssimos hábitos de vida.

         O desafio é grande!  Certamente estamos atentos anovas descobertas e também produzindo nossas próprias pesquisas no Brasil em busca de melhores dias para os pacientes com diabetes.

            Vamos em frente!